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Assessoria de imprensa

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Os Trópicos – Visões a Partir do Centro do Globo

09-10-2007

Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

[ Galerias 1 e 2 do CCBB de Brasília e pavilhão de vidro anexo ]

Abertura : 15 de outubro 2007, às 20h

Visitação pública : 16 de outubro a 10 de fevereiro de 2008

Curadoria : Alfons Hug, Viola König e Peter Junge 

 

O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta ao público a exposição Os Trópicos – Visões a Partir do Centro do Globo , que traz para o Brasil 130 obras de arte antiga de países na faixa tropical do planeta (África, Ásia, Américas e Oceania), vindas do acervo do Museu Etnológico de Berlim, considerado um dos mais importantes do mundo, e 87 trabalhos de 23 artistas contemporâneos de vários países , dentre pinturas , desenhos , fotografias , esculturas , vídeos e instalações .

A exposição ocupará todo o espaço do CCBB Brasília, e propiciará um rico e inédito diálogo entre a produção de arte antiga e a atual. A exposição terá ainda peças de arte plumária vindas do acervo do Museu do Índio , do Rio de Janeiro .

Os Trópicos tem curadoria de Alfons Hug, diretor do Instituto Goethe Rio de Janeiro , Viola König, diretora do Museu Etnológico de Berlim, e Peter Junge, curador do Museu Etnológico de Berlim.

A inauguração da mostra dá início ao “Kulturfest”, estação alemã 2007/2008, e conta com a presença do Ministro Gilberto Gil.

A grande exposição percorre os mais de cinco mil quilômetros de extensão existentes entre o Trópico de Capricórnio e o Trópico de Câncer , localizados no grau de latitude 23 dos hemisférios Norte e Sul , e o curador ressalta no texto do catálogo que “a arte antiga nos mostra os trópicos antes de perderem a sua inocência e se transformarem no chamado Terceiro Mundo ”. “É fascinante a sua irresistível linguagem de formas , a sua riqueza plástica , o seu conteúdo espiritual e a sua capacidade de interpelar o observador . Por menor que possa ser a escala física , o seu efeito estético é gigantesco ”, aponta. Já a força da arte contemporânea está no seu elevado grau de reflexão e no seu potencial crítico .  Outra coisa que fica evidenciada na mostra é que quando a arte é verdadeira ela permanece, não importando se foi produzida hoje ou há 200 anos . 

A região entre o Trópico de Capricórnio e o Trópico de Câncer até o século XV era “ terra incógnita ”, local de origem do homo sapiens ( mais exatamente do leste africano equatorial ), e da projeção de sonhos exóticos , desejos irrealizáveis e medos de artistas , escritores , pesquisadores e viajantes , como o mais recente romance de Mario Vargas Llosa, “ Paraíso na outra esquina ”, ou , em outro extremo , “ Coração das trevas ”, de Joseph Conrad. Ou ainda os tristes trópicos , dos estudos de Claude Lévi-Strauss no início do século XX e que Gilberto Gil cantou em “Marginália 2”, como “ melancolia tropical ”. “ Interpretações e leituras dos trópicos assemelham-se a uma biblioteca imaginária e a um museu inventado, nos quais são conservados nossos sonhos e nossos desejos secretos . Até hoje os artistas marcam a idéia que fazemos dos trópicos ”, resume Alfons Hug. 

Essa região , que aparece de início como uma linha de separação puramente geográfica e cartográfica, que não pode ser vivenciada fisicamente pelo ser humano , é um limite incisivo , em que o sentimento da vida , a contemplação da natureza e a concepção de arte se transformam radicalmente . 

Os Trópicos – Visões a Partir do Centro do Globo é uma exposição de arte , em que mesmo as obras antigas foram escolhidas segundo critérios estéticos e não científicos .  O projeto também tem o intuito de incentivar o diálogo Sul-Sul, como , por exemplo , entre a África e a Oceania, ou entre a Ásia Tropical e a América do Sul . 

Os artistas contemporâneos que participam da mostra são Guy Tillim (África do Sul ), Thomas Struth, Candida Höfer, Marcel Odenbach, Hans-Christian Schink (Alemanha), Caio Reisewitz, Walmor Corrêa, Maurício Dias & Walter Riedweg, Paulo Nenflídio, Lucia Laguna , Marcos Chaves , Marcone Moreira, Milton Marques (Brasil), Sherman Ong (Cingapura), Pilar Albarracín (Espanha), Theo Eshetu (Etiópia), Fiona Tan (Inglaterra), Sandra Gamarra , Fernando Bryce, David Zink Yi ( Peru ), e Gerda Steiner & Jörg Lenzlinger ( Suíça ). 

A montagem de Os Trópicos irá ressaltar grandes temas que atravessam os tempos , misturando obras contemporâneas e peças antigas no espaço expositivo , em um permanente diálogo : Natureza , Antepassados e Imagens Humanas, Poder e Conflito , Cores , e Instrumentos Musicais. Esses grupos temáticos foram livremente inspirados pelas “Mitológicas” de Claude Lévi-Strauss, em especial as obras “Do mel às cinzas ” e “O cru e o cozido ”. Uma instalação de grande porte da dupla suíça Gerda Steiniger & Jörg Lenzlinger será apresentada no pavilhão de vidro de Brasília.            

Completa a exposição um catálogo que pretende dar continuidade à discussão das questões levantadas pela exposição . Além de imagens das obras , a publicação reúne seis textos inéditos , de Alfons Hug, Viola König (Diretora do Museu Etnológico de Berlim), Peter Junge ( curador do Museu Etnológico de Berlim), Fernando Cocchiarale ( crítico de arte ), Roberto Cabot ( artista plástico ), e Ticio Escobar ( crítico de arte , Asunción/Paraguai)

A mostra irá para o Museu Martin-Gropius-Bau, em Berlim, de 13 de setembro de 2008 a 12 de janeiro de 2009.

Serviço:

Os Trópicos – Visões a partir do centro do globo

Abertura : 15 de outubro de 2007, às 20h

Visitação pública : 16 de outubro 2007 a 10 de fevereiro de 2008

Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

SCES, Trecho 02, conjunto 22 – Brasília.

Tel.: (61) 3310-7087. De terça-feira a domingo das 10h às 21h.

Entrada franca

Mais informações : CW&A Comunicação

Claudia Noronha / Beatriz Caillaux

21 2286.7926 / 3285.8687

claudia@cwea.com.br / beatriz@cwea.com.br  

 

OBRAS CONTEMPORÂNEAS

As obras contemporâneas que estão na mostra são convites a diferentes olhares sobre os trópicos :  

Caio Reisewitz devolve na foto de um porteiro negro sua dignidade ameaçada pela luta diária pela sobrevivência , e no segmento “ Natureza ” mostra a floresta tropical na estufa de um parque em Frankfurt.

Candida Höfer contempla os trópicos domesticados na Europa, em sua série de fotografias intitulada “ Jardins zoológicos ”. Em sua série “De coleções etnográficas”, ela aborda o papel que os museus etnológicos têm hoje no mundo da arte contemporânea .     

David Zink Yi mostra uma vídeo-instalação “Abakuá”,  secreta confraria cubana de homens .

Fernando Bryce revela um distanciamento irônico em relação ao passado em uma série de desenhos sobre a história da colonização alemã na Nova Guiné, reconstruída por ele a partir de antigas fotos e recortes de jornal .

Fiona Tan ilustrou os extremos do clima tropical no vídeo “Rain”, realizado durante uma tempestade de chuva e trovoadas em Jacarta, em que através de um balde d’ água transbordante se confere ao dilúvio uma dimensão cotidiana .

Gerda Steiner e Jörg Lenzlinger fazem a espetacular instalação “Brainforest”, que faz lembrar os jardins suspensos do palácio da rainha Semíramis na Babilônia, que foi precedida, como é característica do trabalho da dupla ,de uma cuidadosa pesquisa de cada local . Em Brasília, estudaram a moderna arquitetura e também a vegetação do cerrado . No Rio , o Jardim Botânico , a Floresta da Tijuca , a Cidade do Samba , o Centro Antigo e o comércio popular do Saara. Eles usam diversos materiais , orgânicos e inorgânicos, orquídeas , folhas secas , coloridas flores de papel , lantejoulas das fantasias de Carnaval . Do adubo químico tingido caindo em chuva do céu , nascem estruturas de cristal que crescem lentamente , até alcançarem o emaranhado das plantas . A vegetação abundante cresce por cima de móveis de escritório descartados, inclusive computadores , até engolir o que se entende por civilização . Como numa grande estufa , os dois artistas suíços conseguem aumentar em mais alguns graus a temperatura estética da exposição .

Guy Tillim persegue os rastros da devastação na África Central , desde os garimpeiros da Província de Catanga até as ruínas dos palácios de Mobutu, o antigo ditador do Zaire.

Hans-Christian Schink identificou a simbologia de uma paisagem arquetípica e conciliou o belo natural de Kant com o belo artístico nas cataratas do rio Iguaçu, na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai.  Em suas imagens , a natureza resplandece como no primeiro dia da Criação , um espetáculo que mostra toda a água do planeta despencando num estrondo ensurdecedor .

Lúcia Laguna tira as cores luminosas de sua paleta quando pinta o seu ateliê ou uma planta bastante abstrata de seu bairro , a Mangueira , lembrando que a luz ofuscante é inimiga da perspectiva . As cores desbotadas revelam algo de incerteza . A equilibrada visão de mundo dos antigos mestres esvaeceu-se, consumida pela dúvida ; habitações e cidade tornaram-se espaços ameaçados.

Marcel Odenbach mostra a vídeo-instalação “ Em lagoas calmas espreitam crocodilos ”, que usa uma linguagem visual curiosamente arcaica , feita em Ruanda, em que vemos poéticas paisagens da chamada Suíça Africana sutilmente se transformando em alusões ao genocídio que ali teve lugar .

Marcos Chaves faz o vídeo-instalação “ Máscara ”, Sherman Ong leva seu vídeo de dança “ Novo Começo ”, Paulo Nenflidio cria instalações sonoras [ que parece buscar na floresta virgem o instrumento musical mais antigo do mundo , como o personagem pesquisador do romance de Alejo Carpentier, “Los pasos perdidos”], todos eles se apropriando de elementos de culturas antigas, trabalhando em suas obras com o conhecimento produzido pela antropologia ou etnologia .

Maurício Dias & Walter Riedweg penetraram no mundo oculto do candomblé brasileiro .

Milton Marques fez uma vídeo-instalação em que segue as pegadas do naturalista alemão Baron von Langsdorff, que viajou pelo interior do Brasil ainda não explorado nos idos de 1825.

Pilar Albarracín criou o vídeo “ Furor latino ”, uma ardente cúmbia colombiana, repleta de feminilidade e sensualidade .

Sandra Gamarra contribui para a exposição com uma visão explicitamente retrospectiva ao copiar , em telas de grande formato , antigas esculturas africanas e asiáticas. No choque entre estética pré-moderna e contemporânea , os planos temporais são engenhosamente cruzados . De repente , o antigo parece novo , e o novo , antigo .

Theo Eshetu mostra o vídeo “ Viagem à Montanha Zuqualla”, uma colorida procissão religiosa em direção ao vulcão sagrado na Etiópia. A trilha sonora intercala “Ó, fronte ensangüentada”, de J. S. Bach, com antiga percussão etíope e ritmos de hip-hop , destacando o caráter sincrético da cultura etíope .

Thomas Struth se embrenhou na impenetrável selva peruana , em diversas viagens , e fez fotografias que mostram a floresta virgem , tropical , como uma antítese da floresta alemã, toda arrumada, cuja formação de gigantescas árvores bem ordenadas pode lembrar um exército . Nas imagens de Struth há trepadeiras crescendo em todas as direções , é uma massa caótica , que anula qualquer sentimento de ordem .

Walmor Corrêa reinventa conhecidas figuras mitológicas da Amazônia em suas pinturas , que mais fazem lembrar mapas de anatomia.

Kulturfest – Estação Alemã 2007-08 

A Alemanha e o Brasil cultivam tradicionalmente estreitas e bem sucedidas relações econômicas, políticas e culturais. E foram estas excelentes relações bilaterais que estimularam a Alemanha realizar o Kulturfest 2007-08. Promovido pela Embaixada da Alemanha em Brasília, pelo Consulado Geral de São Paulo e pelo Goethe Institut, e contando com a cooperação de um grande número de parceiros na Alemanha e no Brasil, o Kulturfest vai apresentar a mais fiel imagem jovem e moderna da Alemanha e de sua cultura.

De 15 de outubro de 2007 a 3 de outubro de 2008, haverá em todo o país exposições, palestras, eventos musicais, peças de teatro, competições estudantis, participação em bienais e exposições, entre outros. Para mais informações, programação atualizada, press-releases e muito mais, visite o site do festival: www.Kulturfest.com.br

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